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segunda-feira, março 01, 2004

Não.


O DIÁLOGO QUE SE SEGUE É DA i RESPONSABILIDADE DOS SIAMESES CISMADOS, e foi gravado em segredo num dia qualquer de um qualquer mês de Março

- Como é que te sentes?
- Intermédio, a solidão no meio do seu desespero apático, frise-se esta palavra, consegue a espaços criar momentos de harmonia.
- Como um organismo que se regenera?
- Como qualquer coisa... mas a pata do animal está completamente dilacerada.
- Ainda esperas por ela? Seja lá o que signifique esse Ela?
- Ou seja lá o que signifique a espera. Ainda me sinto ansioso, deveras ansioso, talvez do nada... mas tu sabes tão bem quanto eu: até o nada necessita ser justificado.
- E amanhã? Ainda vais às finanças? O teu dilema é se irás, ou não, de táxi para o Cais. Atrapalha-te um pouco, tens de confessá-lo, a tua barba por fazer. Como passar o resto da tarde... se tiveres algum resto de tarde. Os teus olhos não me parecem nada bem, estão todos vermelhos, inchados, parecem brilhar...
- Evidentemente, sinto-me decadente e em queda abrupta, envelhecido, a perder capacidades para o flirt com a vida...
- Tédio intelectualóide? Não foi assim que o cabrão do teu amigo H chamou ao teu discurso?
- Talvez, se é que existe tédio que não seja intelectual. Os intelectuais inventaram o tédio, eu não sou um intelectual, detesto os intelectuais, sou um homem do grés vermelho...
- Pois. E a S? Andas a cobiçá-la?
- Talvez, não sei, apenas porque procuro um mínimo. Para que nada não tenha que ser apenas nada.
- E as aulas? Tiveste que preparar a última mesmo em cima da hora...
- ... e o regresso a Coimbra, a viagem hipotética de metro com as estações a sucederem-se e nada a resultar em nada... A carta da morte dizia para eu romper o ciclo...
- Como se ela viesse, se é que ela irá ou virá, ou melhor, se é que ela irá nesse metro se for à aula...
- Como se as histórias fossem sempre as dos outros e as minhas se tenham tornado em algo baço que logo se torna esquecido...
- Tudo isso e mais alguma coisa no meio de nada disso...
- Já não temos a neurose de antes, é pena...
- Porque nos estamos a tornar...
- ... num único...
- ...eu...
- ...apenas.


“Ken Ki Ma Bô Leña Ta Ma Bô Sinza”.

“Quem é mais lenha do que tu também é mais cinza.”





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